domingo, 21 de junho de 2009

Ambientalismo e Preocupações Ecológicas

Claramente, a ética punk do individualismo deve ficar em segundo plano quando se pensa em preservação global. No caso das filosofias, práticas e protestos ambientais, a ênfase está no todo, não na parte. Com base em vários testos e em material gravado, pode-se mostrar que o todo é feito para incluir não apenas a humanidade, mas os animais e a natureza.
Parece não existir grande glorificação de sociedade primitiva, pré-industrial ou preconceitos antitecnológicos na opinião dos punks. Pouco se fala em abandonar o sistema ou viver em comunidades agrícolas. É basicamente um movimento urbano/suburbano que não idealiza a vida rural. Porém o reconhecimento de respeito e o compromisso com uma natureza saudável podem ser facilmente vistos como um fio condutor comum ligando a filosofia punk a uma perspectiva pré-industrial, pré-colonizada.
O aspecto mais importante de uma filosofia radical é o esclarecimento das concepções errôneas atuais, a despeito de quão populares ou quão amplamente elas possam ser defendidas. Uma das maiores e mais difíceis de mudar seja a maneira antropocêntrica ou centralizadora do ser humano ver o mundo. As tradições bíblicas de que Deus deu ao homem o domínio sobre plantas e animais da Terra têm sido apontados como responsáveis em grande parte por essa visão. Quer seja causada pela interpretação bíblica ou pelas hierarquias da Lei da Natureza registradas por Aristóteles e São Tomas de Aquino, o antropocentrismo é um preceito subjacente em quase toda filosofia e teoria políticas já escritas. É uma crença de que os seres humanos são independentes e superiores à natureza. Com uma visão dessas, a idéia de seres humanos vivendo em harmonia com a Natureza está fora de cogitação.A comunidade punk está tentando cultivar uma filosofia biocêntrica em resposta aos problemas ambientais. Essa visão contém a percepção de que tudo na natureza está interligado e tem o mesmo valor intrínseco. A natureza é respeitada e cuidada, não dominada.Isso não deve ser confundido com uma visão conservacionista.
É discutível se os punks aprovam estritamente uma forma de ecologia profunda ou criam sua própria variação do biocêntrismo.O que é óbvio é a ênfase consistente na crença ecológica extrema da necessidade de ação direta. Existem dois tipos de ação direta: a ação direta interna envolve o desenvolvimento de uma maturidade mais profunda e a perda da visão antropocêntrica. A ação direta externa pode tomar a forma de sabotagem, protesto, desobediência civil ou plantio de uma arvore. Não existe uma divisão pronunciada entre a ação direta interna e a externa, e ambas são guiadas por um principio inflexível: a não-violência. A ação direta é a compreensão de que não se pode dar as costas aos problemas da Terra e ignorá-los; precisa-se fazer alguma coisa. Tudo está interligado: ao proteger a floresta tropical está sendo protegido a todos e, portanto, ao adotar uma ação direta, exprimimos o mais profundo amor que temos pelo planeta e por seus habitantes. Ação é o objetivo, e a ação em si tem que ser verdade, sua própria defesa e sua própria finalidade.
Muitos punks são membros do EARTH First. do Greenpeace, do Animal Liberation Front (Frente de Libertação Animal), do People for the Ethical Treatment of Animals (Pessoas pelo Tratamento éticodos Animais, mais conhecido como PETA) e de outros grupos com a mesma intenção ambiental e animal.
Os punks acham que os motivos da continua destruição da Terra podem ser encontrados freqüentemente na ganância econômica. As maiores preocupações dos poluidores são manter-se no negocio e aumentar os lucros.O governo não gosta de interferir em empreendimento lucrativos, especialmente quando há empregos envolvidos. Da mineração, passando pelas serrarias, até a novidade de construir estádios, os políticos conseguem acobertar a questão da irreversível devastação ecológica com a falsa promessa de empregos para os moradores da área. Parece evidente que os custos ecológicos não estão sendo considerados e que isso está levando ao desastre. A escala que mede os custos em dólares não avalia com precisão os custos ecológicos.
Por ter um sistema capitalista, tudo se torna consumível. E uma das melhores maneiras de recusar um sistema a capitalista destrutivo e resistir a ele, é escolher uma opção economicamente, optando por produtos cuja fabricação seja menos danosa possível. Muitos fanzines hoje em dia incluem uma seção para anunciar produtos a serem boicotados. Esses boicotes podem ser iniciados por questões como testes desnecessários em animais, praticas trabalhistas injustas ou investimento com lucros imorais. Vários outros zines listram dicas úteis sobre como reduzir, reciclar e reaproveitar produtos.Olhando racionalmente para os recursos desperdiçados, as questões de saúde e a aceitação de uma ecologia mais humana ou profunda motivaram um numero maior de punks a tornarem-se vegetarianos.


Mariana

Nenhum comentário: