domingo, 20 de novembro de 2016

Pra quem corre, o amor demora a ser notado. Corri tanto, dei voltar, e sentei em alguns bancos, troquei alguns beijos e voltei a correr quando dei de cara com você.
Parado me olhando, esperando que o mundo desse soluções para seus problemas e distraído, tropeçou nos meus pés. Engraçado como a vida muda, como de repente a gente tropeça numa pedra e cai num colo quente que faz cafuné.
Quando você que sempre escreveu para de escrever é como se você desaprendesse qualquer forma de colocar pra fora qualquer sentimento que só sai de forma escrita. Pra escrever esse paragrafo eu levei bons minutos, parece que eu nunca escrevi e automaticamente nunca me expressei de forma correta.
Dizer que sentia pouco é mentira, é só ver os outros textos, sempre senti muito, mas sabia lidar melhor com isso, não perdia noites de sono, não virava um poço de mau humor, não chorava a cada banho (eu ainda tenho tomado banho hahaha). De repente, de forma que eu não sei explicar parece que eu me transformei em uma bomba relógio que como toda bomba relógio não sabe quando vai estourar.
Passei a ver todo mundo com outros olhos, se antes eu confiava em poucos, hoje eu não confio em ninguém. Sinto que eu sou obrigada a fingir sentimentos todo tempo, fingir que gosto de estar ali, fingir que gosto de fazer as coisas com as pessoas que eu gosto quando na verdade eu quero ficar sozinha pensando até a minha cabeça doer e eu dormir para acordar 3 horas depois sem ar.
Ao mesmo tempo, tenho dias leves, que nem parece que tudo isso acontece. Parece que sou eu de novo, que eu não preciso planejar cada minuto do meu dia, que eu não preciso não me esforçar para aceitar que as pessoas podem e devem fazer aquilo que querem sem pensar no quanto isso me afeta.
Claro que não é culpa de ninguém por eu estar assim, não sei nem de que é culpa, parece que é minha, mas às vezes parece que é dos outros. De repente, como se tivessem virado uma chavinha num tempo, nada mais me parece prazeroso: frequentar a religião que eu frequentava não me trás as sensações que sempre trouxe, eu preciso me esforçar para que os meus amigos pareçam interessantes, preciso me esforçar pra não chorar na frente da minha mãe quando ela me pergunta se está tudo bem, assim como eu preciso me esforçar pra não chorar quando eu deito pra dormir na mesma cama do meu namorado. Eu sei, parece um drama sem fim, e pensei que escrever fizesse tirar isso de mim.
Parece que não.
A semana pesa de tal forma no meu peito que antes era aliviado com a chegada da sexta, hoje isso também não existe mais. O final de semana é tão pesado quanto, que realmente só a minha cama me salva.
Eu ando tão cansada, tão cansada, que o meu peito chega se inundar de um nada, de um nada que persiste e insiste em me dizer que eu mais sobrevivo que vivo. Que eu mais sei olhar o que é ruim do que é de bom. Nunca perdurou tanto tempo, nunca senti os olhos de preocupações das pessoas ao me olharem. Eu sempre fui acostumada ser tão forte e hoje sou tão fraca, meu corpo dói de maneira que eu não consigo explicar, minha cabeça lateja e meus olhos parecem que não querem se fechar pra descansar um pouco.
E pior disso tudo que eu não sei por qual motivo isso aconteceu, eu tenho uma família, tenho amigos, tenho namorado, tenho um emprego, uma casa, um carro, só não tenho paz.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

Escrevi algumas vezes sobre a minha proteção e minha espiritualidade, mas não de forma direta e reta. Resolvi fazer afinal, é o que mais me chama atenção ultimamente, o que gosto de estudar, de ler, de saber e todas as minhas quartas-feiras têm sido reveladoras. Nunca pensei que alguma religião fosse fazer isso por mim, ainda sou adepta aquela frase de Marx: "a religião é o ópio do povo."
Essa frase tinha um modo pejorativo, acho que ainda tem, mas hoje a enxergo de modo diferente.
Quando se fala em ópio, conclui-se pelo alto poder de viciar que ele tem, como é instantâneo. Concordo, a religião de fato, quanto mais você entra mais encanta, mas te conforta. É um modo de dar colo as pessoas e muitas delas se fidelizam por isso, porque quando um mundo se arruína dentro de um peito, o que se precisa é uma passada de mão nos cabelos e um "tudo vai ficar bem". A religião faz isso por nós, mas não só isso.
O problema é exatamente esse: o não só isso.
Quando a vida é dotada de sofrimentos, duras penas e poucos afagos, as pessoas acostumam-se com a dureza do andar e um coração que empedra. A religião entra exatamente aí, por confortar pode manipular, e esquecemos que não só vale seu deus mas também quem te aproxima dele. E de boas intenções o inferno está cheio. E quando se envolve a mente humana ela pode manipular pessoas por bem quanto pro mal.
Ao meu ver, quando uma religião fere o livre arbitro, ameaça, propaga ódio, é válido que se pense duas vezes. As religiões precisam evoluir com a humanidade. Não adianta nada ter milhões de fieis e viver há 100 a.C. O seu messias não lidou com tecnologia, não lidou com todas as culturas e seus seguidores. É se limitar viver neste mesmo período com a visão de um livro que ninguém de fato sabe quem o escreveu.
O ponto que quero chegar é que hoje eu sigo uma religião, que prega o amor, prega a caridade, a benevolência e o crescimento espiritual mas ninguém me pressiona porque bebo, porque transo, porque me relaciono com pessoas do mesmo sexo que eu, ou mais de uma pessoa ao mesmo tempo. Ninguém me crucifica porque gosto disso, o papel da religião não é julgar, pra isso existe a justiça dos homens e a divina. E quando você amedronta pessoas com mais sofrimento caso não tenha determinada postura, você a prende, aprisiona aquele espirito que devia ser livre, impede a evolução dele. Não vê o quanto é ruim? Já não tem fardos o bastante para ainda empurrar pros outros suas frustrações?
Se hoje eu firmo cabeça, acendo vela, vibro com um canto, sinto energias que me libertam de mim e me limpam por dentro, é porque ninguém jamais me julgou, somente me instruiu e deixam ao meu critério seguir ou não.
Não digo que as pessoas precisam seguir o mesmo que eu, mas precisam seguir aquilo que te deixa leve, que te faz aprender e crescer. Te serve de apoio e nunca está acima de você, está ao seu lado para o seu amparo. E algo importante, não julga ou prejudica os outros.

sábado, 21 de março de 2015

Sobre perdão

Nunca escrevi sobre perdoar, não podia falar com propriedade sobre o assunto, porque perdoar nunca foi fácil e continua não sendo fácil pra mim. Mas acho que é essencial que o meu crescimento pessoal dependa de um coração mais limpo, com uma mente menos rancorosa e uma leveza de alma que hoje me permito ter.
Perdão vem de você pro outro, de você pra você mesma, ou ambos. Quantas vezes colocamos em ruínas relacionamentos, sentimentos e pessoas pelo orgulho e rancor, causando doras internas pra você e quem estiver junto?
Perdão não precisa ter cunho religioso, é questão emocional que uma hora ou outra acabamos nos mesmo abismos que lutamos pra não cair e quando vemos estamos afundados em sentimentos pesados.
Sabe, sempre fui uma pessoa que guardei muito peso morto dentro do peito, em que toda vez que eu fechava os olhos passava mil filmes na minha cabeça e sabe quem isso prejudicou? Só eu. As pessoas com quem eu cortei relações por diversos motivos continuam vivendo a vida delas, de uma maneira ou de outra passei a não fazer falta. Mas as duvidas ainda pairavam na minha cabeça: Sou eu a errada? Por que as coisas acontecem sempre da mesma forma?
O problema é/era comigo, ninguém pediu pra manter sentimentos ou relações, você entra nisso porque quer e pessoas são passíveis de erros e pra erros somente o perdão pode diminuir o peso que tem. Mas perdoar e esquecer não são dotados de facilidades, não é e nunca será fácil, porém a prática sempre levará ao um caminho melhor que o anterior.
E quando você não consegue perdoar o outro, você não se perdoa, não perdoa seus atos, não perdoa seus sentimentos, não perdoa seus erros. Ninguém erra sozinho, você teve sua parcela de culpa, todos nós tivemos, mas é mais fácil sobrecarregar os ombros alheios e seu coração.
O perdão pra mim funciona por partes, me perdoo e depois perdoo os outros. Ninguém disse que sempre retomo relações, afinal é preciso reconstruir, confiar de novo, dar abertura e prometer não fazer as mesmas acusações e como tudo isso é difícil, como dói, como faz a gente sangrar a cada possibilidade de caírem em falso conosco, mas a beleza do perdão está aí.
Uma vez me perguntaram quantas vezes eu já tinha errado, respondi que muitas e quantas vezes eu gostaria de ser perdoada por isso. Minha visão começou a mudar daí. Sugiro que repensem, não será fácil mas faça o favor a si mesmo. O egoísmo nos faz pensar o que iremos ganhar com isso, lhes digo que muito, o maior beneficiário é sempre você.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Normalmente, grande parte dos problemas cotidianos das pessoas envolvem outras pessoas. Relacionamento seja de qual tipo for se tornam motivos de amor e ódio.
Grande parte dessas sensações são ligadas a ideia que fazemos de cada um que está por perto, ou ainda, aqueles que não estão, não se envolvem em sua vida mais ainda sim, aaaainda sim, você o considera um problema ou a solução.
Estranho como cada um lida com outros além de si mesmo, a importância ou o desprezo que lhe concede e a posição que está depende tão somente do seu registro na memória. Ou ainda, esse sentimento de vínculo raramente se encontra no mesmo estado que começou, principalmente pela mudança das pessoas e de você mesmo quando atinge certos pontos da sua maturidade.
A verdade que se faz pouco das pessoas, acha que não dependemos ou até não precisamos, mas esquece de considerar de um passado. Opinião própria: quando nem mesmo o passado sobrepõe uma relação presente e não de uma forma que te agregue e nem vai agregar a outra pessoa, não há porque continuar e abrir feridas que demorarão a se suturar.
A sentença de cada cabeça é um sentido faz com que se enxergue os pensamentos alheios quando contrários ao seus próprios com dificuldade de entendimento. Boa parte do tempo não se considera pelo que a outra ponta do laço passa ou sente. O ser humano é essencialmente egocêntrico, não que isso seja ruim, se for avaliado a semântica da palavra egocentrismo, a definição dada é "Estado da pessoa especialmente interessada em si mesma e em tudo quanto lhe diga respeito". Então avaliar o outro lado da situação nem sempre é fácil, nem sempre é possível quando seu peito se enche de amor ou ódio, se volta totalmente para o que você acha sem sequer encontrar outro ponto de vista.
A pergunta a ser feita antes de encontrar sentimentos tão intensos é: O que o outro pensa, o que acha, é válido?
Talvez, aí sim as relações se descomplicariam. Agora dizendo em primeira pessoa, às vezes voltamos tanto para nossos problemas que esquecemos que o nosso problema não seja tão pesado para o outro, ou ainda, tão leve como achamos que é.
Volto ao ponto dito há uns textos atras, não sabemos qual é a cruz carregada por cada um para julgar o que é certo ou errado. Nossa forma de se relacionar com as pessoas é única, nossas diretrizes e conceitos são únicos, não podemos esperar que ninguém mais haja como nós. Cada um se forma da sua história, dos seus valores e das suas intenções e isso afeta diretamente o modo como nos relacionamos e o quanto de sentimento bons ou ruins colocamos em expectativas de cada pessoa que nos rodeia.
Poderia divagar sobre como podemos melhorar ou então, ainda reconhecer o que fazemos, mas isso diz a respeito de cada um.

segunda-feira, 21 de julho de 2014

O mesmo sorriso

Estava vendo umas fotos minhas, voltei a carregar o mesmo sorriso de quando te conheci, mas hoje não é sobre você, voltou a ser sobre mim. Mas queria dizer, se antes você foi motivo de covinhas no canto da boca, hoje o motivo do brilho nos olhos e o sorriso mostrando os dentes sou eu de novo.
Difícil é o tombo que a gente leva e quando acha que já se reconstruiu, tá ali algo pra pisar em sua cara e deixar que você fique no chão por mais alguns dias. É difícil colar-se por dentro, ter paciência para esperar passar. Já tinha aprendido sobre como é o tempo e o melhor dos remédios e aprendi dessa vez que a vontade de não sofrer mais, também é um ótimo antídoto para veneno nas veias.
Quando eu vejo meu sorriso sincero ao lado de um amigo, eu percebo: aí que eu me recuperei, estou com rugas de rir já que as de chorar faz tempo que deixei de cultivar.
Uma vida mais leve, um andar mais calmo, uma música cantada numa manhã cinza de segunda feira, o bom humor voltou. O ficar sozinha já não é tão necessário e eu devo a mim.
Nunca foi culpa sua, a culpa sempre foi minha já sou mocinha o bastante para aprender que paixão de adolescente mal curada desgasta a felicidade dentro de si.
E digo mais, percebi que sorria no travesseiro de outro, olha que interessante e ainda me foi indicado isso: "you smile", entendi que era o mesmo sorriso que eu te sorria de manhã nos domingos, não que esse seja o motivo desse meu sorriso, mal sabia o nome dele durante o café da manhã, mas sorria porque eu estava feliz em estar feliz comigo mesma.
A vida dá dessas e o sorriso ainda é meu, vou pensar se empresto ao próximo.


ps: devo a mim e aos meus protetores.