Quando você que sempre escreveu para de escrever é como se você desaprendesse qualquer forma de colocar pra fora qualquer sentimento que só sai de forma escrita. Pra escrever esse paragrafo eu levei bons minutos, parece que eu nunca escrevi e automaticamente nunca me expressei de forma correta.
Dizer que sentia pouco é mentira, é só ver os outros textos, sempre senti muito, mas sabia lidar melhor com isso, não perdia noites de sono, não virava um poço de mau humor, não chorava a cada banho (eu ainda tenho tomado banho hahaha). De repente, de forma que eu não sei explicar parece que eu me transformei em uma bomba relógio que como toda bomba relógio não sabe quando vai estourar.
Passei a ver todo mundo com outros olhos, se antes eu confiava em poucos, hoje eu não confio em ninguém. Sinto que eu sou obrigada a fingir sentimentos todo tempo, fingir que gosto de estar ali, fingir que gosto de fazer as coisas com as pessoas que eu gosto quando na verdade eu quero ficar sozinha pensando até a minha cabeça doer e eu dormir para acordar 3 horas depois sem ar.
Ao mesmo tempo, tenho dias leves, que nem parece que tudo isso acontece. Parece que sou eu de novo, que eu não preciso planejar cada minuto do meu dia, que eu não preciso não me esforçar para aceitar que as pessoas podem e devem fazer aquilo que querem sem pensar no quanto isso me afeta.
Claro que não é culpa de ninguém por eu estar assim, não sei nem de que é culpa, parece que é minha, mas às vezes parece que é dos outros. De repente, como se tivessem virado uma chavinha num tempo, nada mais me parece prazeroso: frequentar a religião que eu frequentava não me trás as sensações que sempre trouxe, eu preciso me esforçar para que os meus amigos pareçam interessantes, preciso me esforçar pra não chorar na frente da minha mãe quando ela me pergunta se está tudo bem, assim como eu preciso me esforçar pra não chorar quando eu deito pra dormir na mesma cama do meu namorado. Eu sei, parece um drama sem fim, e pensei que escrever fizesse tirar isso de mim.
Parece que não.
A semana pesa de tal forma no meu peito que antes era aliviado com a chegada da sexta, hoje isso também não existe mais. O final de semana é tão pesado quanto, que realmente só a minha cama me salva.
Eu ando tão cansada, tão cansada, que o meu peito chega se inundar de um nada, de um nada que persiste e insiste em me dizer que eu mais sobrevivo que vivo. Que eu mais sei olhar o que é ruim do que é de bom. Nunca perdurou tanto tempo, nunca senti os olhos de preocupações das pessoas ao me olharem. Eu sempre fui acostumada ser tão forte e hoje sou tão fraca, meu corpo dói de maneira que eu não consigo explicar, minha cabeça lateja e meus olhos parecem que não querem se fechar pra descansar um pouco.
E pior disso tudo que eu não sei por qual motivo isso aconteceu, eu tenho uma família, tenho amigos, tenho namorado, tenho um emprego, uma casa, um carro, só não tenho paz.
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