Não, não foi há um ano atras você ter apresentado o sorriso torto ao me cumprimentar, nem mexer no meu alargador como se nunca tivesse visto um, mesmo você tendo um enorme na orelha, não foi a cara de espantado ao saber que açai não é e nem nunca foi a minha preferência. Nem os gostos musicais idênticos, não foram os shows que fomos coincidentemente e nunca ter te notado e muito menos ao contrário e mesmo assim ter ter encontrado depois. Não foi a emoção em falar de algumas músicas preferidas, umas bandas que nos emocionam igualmente. Não foi o pegar na minha mão pra mostrar pros amigos que a gente combinava desde do inicio, mesmo que naquela mesma noite você tivesse me dito que achou que não ia combinar, eu tão aparentemente patricinha e você tão maloqueiro. Muito menos quando tomamos a quantidade de cerveja que compramos pra aquela noite que eu não esperava e nem você. Não foi paixão ao primeiro olhar quando você me beijou na ponta da sua cama, nem quando eu percebi que você sorria mais quando eu fechava o olho. Não foi o Marvin Gaye e nem o Sublime com a minha música preferida. Não foi a janela aberta, a luz apagada, o "deita aqui então, princesa". Não foi a sua camiseta que combinou com o meu corpo, não foi o banho juntos numa manhã chuvosa em pleno verão. Não foi o final de semana seguinte, comigo chegando cheirando cerveja, nem a pizza de vegarela, nem o motel mais bizarro com cara de "O Iluminado", as nossas fotos desse dia, a Alpha FM tocando a noite toda. O café da manhã na padaria? Nem pensar. A buzinada que você me deu quando eu atravessei a rua na frente do seu carro, também não foi. Meu aniversário, ter me ligado, ter cantado parabéns e ter cagado no dia seguinte pra mim.
A minha primeira mancada, a sua primeira mancada. A questão de me retratar no dia seguinte e suas desculpas tão discretas e exatas, nem o meu primeiro embrulho de estomago em te perder pela primeira vez. Não foi o porre de tequila que eu tomei sozinha na praia após isso.
Não foi a forma de puxar conversa mesmo eu sendo fria, nem o convite pra conhecer seu quarto novo, o abraço na estação do metro com beijo no rosto, no lanche na esquina, seu quarto novo, seu planos novos, nem quando eu fiquei de costas pra você e te dei o sinal verde discretamente e aquele beijo roubado. O colo que te dei, a chuva e o "Você mais bonita ao meu lado", o show, a batata com barbecue, as graças, o "vou levar ela no metro" o dia inteiro na cama os beijos no pescoço. Nada disso. Nem depois, nem as tardes com seu almoço de matando o trabalho só pra te ver durante a semana.
Agora sim, foi a falta de demonstração de sentimento, de sumir depois por alguns dias, de não querer gostar de você, de não admitir estar apaixonada por você, quem muito se ausenta não faz falta, comecei a não fazer e quando eu resolvi falar, já era tarde demais.
O depois disso, você já sabe, eu já sei, minha médica já sabe e mesmo assim, não consigo ter raiva. E acredite, espero um dia encontrar um cara metade do que você é.
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