O pensamento do DIY – Do it Yourself (Faça Você Mesmo), é um dos mais usados no meio punk. Porque a partir de fazer por você, e não esperar que os outros façam, gera uma independência em alguns aspectos.
Depender de produtores para organizarem um festival, um show de punk e lucrar e eles lucrarem com isso, é uma idéia totalmente contrária do que prega o punk.
Os melhores exemplos de práticas comerciais dentro do movimento punk esta no setor musical e nos fanzines. O punk rock se deferiu do rock n’ roll tradicional não apenas na música, no conteúdo das letras e no estilo de se apresentar, mas também na maneira como as bandas dirigem seus negócios e interagem com o seu público. O movimento tende a não aceitar, e mesmo a criticar e desmascarar, “astros do rock” e bandas que cobram grandes quantias para tocar ou por seus discos. Isso remonta aos primórdios do punk, quando havia poucas pessoas no movimento e a idéia de ganhar muito dinheiro com musica era um sonho absurdamente impraticável. Os membros das bandas não eram diferentes dos membros do publico tanto nas crenças como, muitas vezes, nas habilidades. Os grupos de punk rock incitavam outras pessoas a montarem seus próprios grupos, tentavam romper as barreiras tradicionais astro e público. Qualquer um podia ser o astro ou ninguém podia, tudo de que se precisa é equipamento e o desejo de montar uma banda.
As bandas punks tradicionalmente se ajudavam conseguindo shows em outras cidades, organizando turnês, lançando discos etc. Houve poucos casos de competição fora das bandas que regulamente “se vendem’ para obter mais publico e lucros. As bandas punks tendem a tocar apenas entre si porque têm idéias semelhantes sobre cooperação e não têm as atitudes competitivas que prevalecem na industria musical. Ajudam-se um aos outros emprestando equipamento e dividindo o dinheiro de forma justa. Isso parece tão fácil e normal, mas na cultura rock essa atitude é bem incomum. É por isso que se odeia astros do rock, especialmente os” alternativos ““.
Esses astros do rock alternativos são bandas ou membros de bandas que, em certo período, tinham uma mensagem semelhante à do punk ou eles mesmos eram punks. Seu crime em geral é o de sair de um pequeno selo independente para uma gravadora maior e corporativa para ganhar mais dinheiro ou publico.Muitas dessas bandas pensam que o fim (alcançar um publico maior) justifica os meios (fazer parte de uma grande gravadora). Essa idéia é freqüentemente rejeitada e condenada no punk.
Pode mesmo uma banda manter uma postura política radical e independente e ao mesmo tempo trabalhar para uma grande gravadora cuja função é vender discos para grandes massas, mesmo que uma banda política consiga ignorar seus colegas na grande gravadora e o fato de que a maioria delas investe em outros negócios ainda haverá um problema de censura a qualquer mensagem ameaçadora que possa prejudicar a venda de discos.
Muitas bandas punks originais de meados dos anos 70 mais tarde foram contratadas e exploradas pelas grandes gravadoras. Foi preciso que os primeiros anarquistas ingleses e os punks norte-americanos percebessem que podiam fazer discos por conta própria. Dessa maneira eles passaram a estabelecer seus preços, escrever suas próprias letras e toca a música que achavam que era importante sem ter de fazer concessões.
É importante notar que, embora no passado o punk não tivesse um grande público nos EUA, o sucesso de varias bandas punks ingleses (principalmente Sex Pistols e The Clash) deixou as grandes gravadoras a favor de contratar o maior número possível de bandas “rebeldes” para lucrar em cima do punk.Muitas bandas inglesas receberam excelentes propostas para assinar contratos com gravadoras. Essas bandas se recusaram a fazer concessões. Sua música e convicções políticas significavam mais do que isso para elas, elas não estavam nessa para vender rebeldia para consumo em massa. Ao trabalhar para uma grande gravadora e conceder a ela os direitos de comercializar as musicas, a arte gráfica das capas, as letras e a imagem em nome da banda, esta coloca o sucesso comercial acima da criatividade e das mensagens.
Além de selo underground DIY, muitos selos independentes são na verdade fachada para grandes gravadoras com intenção de produzir musica “alternativa” para as atais estações de rádio universitárias e de rock moderno.Ao financiar selos independentes e instigá-los a contratar bandas punks grandes e alternativas, as grandes gravadoras tentam tirar proveito das bandas alternativas de seus fãs.Fora esses “independentes”, muitas bandas deram um novo salto para dentro de grandes gravadoras.Isso vem com toda a promoção e produção artificial que ocorre com bandas comerciais.
Ainda assim existem bandas que se mantêm firmes aos métodos de gravação independentes e underground verdadeiro, lançamento e turnê.
Os fanzines (ou zines) são a principal forma de comunicação entre os punks. Eles são feitos por punks para punks e abrangem um amplo espectro de assunto.Em geral têm tiragem de mais de mil copias. Normalmente os grandes fanzines tratam de musica e política.Isso não quer dizer que os outros não sejam interessantes, divertidos ou estimulantes porque não lidam diretamente com o mundo punk, fanzines de poesia ou fotografia captam bem a arte e as experiências de punks, mas são difíceis de descrever. Como uma boa conjunto, os fanzines punks dão uma visão geral, uma síntese dos vários elementos (musica, filosofia, estética e atitude) que compõem o fenômeno punk.
Os fanzines surgiram em meados dos anos 70 com o crescimento das canas punks, os maiores zines dessa época eram o Sniffin’ Glue, Da Inglaterra, e Punk, de Nova York.Como a maioria de zines, eles tiveram vida curta, com pequena tiragem e aparência amadora. Os zines não devem ser confundidos com revistas que têm capa lustrosa paginas coloridas e altos orçamentos.A maioria deles é feita em copiadora, grampeada, sem paginas numeradas, sem direitos autorais e nenhuma chance de rentabilidade.
O espírito de empreendimento punk tem sido o Faça Você Mesmo. Essa é uma extensão dos princípios anarquistas que requerem responsabilidade e cooperação para construir um futuro mais produtivo, criativo e agradável.
A idéia de não confiar nas forças externas predominantes na sociedade para criar o que consumismo é uma verdadeira evolução subversiva nessa era de centralização sempre crescente, racionalização tecnocrática e manipulação comportamental. Mesmo no momento em que você lê isso, milhares de indivíduos criativos e frustrados em toda parte do globo estão se comunicando diretamente por meio de canais que eles mesmos ajudaram a instalar. Existe uma crescente e tenaz rede underground para a disseminação de idéias, informações e materiais autoproduzidos que transcende as barreiras artificiais que dividem inutilmente as pessoas de mente independente. Essa rede de fato se torna um frenesi de elementos antiautoritários para desafiar as elites do poder nacional e internacional, corrompendo e, por sua própria existência, cortando a fachada de consenso que em todo lugar nos mantêm em servidão, ou simplesmente fique como está, é motivo de conjectura.
Mariana
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