sábado, 13 de junho de 2009

Anarquismo

Anarquia é uma palavra grega que significa literalmente "sem governo", isto é, estado de um povo sem uma autoridade constituída.
O homem, como todos os seres vivos, se adaptam às condições em que vive e transmite, através de herança cultural, seus hábitos adquiridos. Portanto, por nascer e viver na escravidão, por ser descendente de escravos, quando começou a pensar, o homem acreditava que a escravidão era uma condição essencial à vida. A liberdade parecia impossível. Assim também o trabalhador foi forçado, por séculos, a depender da boa vontade do patrão para trabalhar, isto é, para obter seu alimento.Acostumou-se a ter sua própria vida à disposição daqueles que possuíssem a terra e o capital. Passou a acreditar que seu senhor era aquele que lhe dava pão, e perguntava ingenuamente como viveria se não tivesse um padrão.
Se acrescentar ao efeito natural do hábito a educação dada pelo seu patrão, pelo padre, pelo professor, que ensinam que o patrão e o governo são necessários; se acrescentar o juiz e o policial para pressionar aqueles que pensam de outra forma, e tentam difundir suas opiniões, entenderemos como o preconceito da utilidade e da necessidade do patrão e do governo são estabelecidos. Portanto, se for considerado que o governo é necessário e que sem o governo haveria desordem e confusão, é natural e lógico, que a anarquia, que significa ausência de governo, também signifique ausência de ordem.
Os punks se voltaram para o anarquismo como alternativa para os sistemas existentes no mundo e para o continuo ciclo de opressão que cada revolução traz.A natureza dos governos e hierarquia em geral envolve a opressão e a exploração das pessoas que vivem sob ou são afetadas por eles. Diferentemente de outras contraculturas, os punks rejeitam o comunismo e a esquerda de governos democráticos tradicionais, assim como o capitalismo. Reformas feitas por partidos dominantes são feitas para apaziguar a população, não libertar as pessoas envolvidas.
Os grupos como comunistas, pareciam a ter objetivos similares. Grupos comunistas, quando estão fora do poder têm um discurso totalmente diferente. Eles apresentam o comunismo como uma força nobre que luta pela igualdade e a justiça contra a opressão e o domínio dos capitalistas. Mas o fato é que os partidos de esquerda são autoritários por natureza. Qualquer sistema que tenha como parte de sua filosofia o domínio de uma ser humano por outro mantém a possibilidade da opressão. Os grupos comunistas não estão lutando pela liberdade das massas, mas para sua própria ascensão ao poder. Uma vez no poder, eles adotam os mesmo meios repressivos para mantê-lo que todos governos adotam. Uma revolução não significa uma simples troca de governantes.
O movimento punk foi originalmente formado em nações que matem políticas capitalistas, pseudodemocráticas. Por causa disso, o capitalismo e seus problemas tornaram-se o primeiro alvo dos punks políticos. A miséria presente em qualquer realidade parece ser resultado de um sistema baseado na ganância. Embora seja verdade que um sistema capitalista proporcione grandes luxos para muitos membros da sociedade, isso parece ter uma ligação direta com a exploração daqueles que não têm esse luxo.
Assim, o punk anarquista tem rejeitado o modo como o governo atual funciona. É importante observar como sua concepção de anarquia é possível e como ela difere do que tem sido criticado.
A idéia de um Estado exige que as pessoas sujeitem algum aspecto de suas vidas a ele e, em alguns casos suas próprias vidas. A anarquia é a rejeição desse controle do estado e representa uma demanda do individuo para viver uma vida de escolha pessoal não de manipulação política. Com a rejeição do controle também vem uma certa dose de responsabilidade pessoal. Ao se recusar a ser controlado, estará tomando a própria vida em mãos e esse é, ao invés da popular idéia da anarquia como um caos, o começo da ordem pessoal. O estado de anarquia não é um tumulto caótico onde todo mundo está por sua conta própria, é onde indivíduos vivem com outros na confiança e no respeito. O respeito por outras pessoas e propriedades não pode ser simplesmente exigido, precisa ser ensinado. Os anarquistas não poderiam obviamente forçar as pessoas a aceitar nada, por isso esperam uma espécie de aprendizado necessário e um processo de internalização para prevenir preconceitos desenfreados e ganância. Para conceber qualquer chance de mudança bem-sucedida de ideologia sem coerção ou força, precisa-se imaginar os seres humanos como aptos e carentes de mudanças. As pessoas estão condicionadas pela sociedade para exploram umas às outras e isso é necessário para que o sistema funcione. Certamente se uma criança fosse exposta a idéias pacifistas e humanitárias, ao contrário daquelas que as crianças encontram diariamente, ela teria uma atitude totalmente diferente com relação à sociedade e ao mundo.
Os anarquistas precisam consideram todas as pessoas igualmente aptas a governarem a sim mesmas. Essa idéia se baseia na suposição de que a natureza humana é essencialmente boa.
Há muita gente que confunde anarquia com caos, por isso acham o anarquismo algo inaceitável. Seu conceito de que a anarquia seria equivalente ao imediato desaparecimento da policia e do governo, produzindo o caos, mostra uma má compreensão do anarquismo. Os anarquistas sabem que se as forças governamentais desaparecessem hoje, haveria tumulto, crimes, mortes e destruição em uma escala possivelmente maior do que está havendo no momento. A anarquia só poderia ser alcançada gradualmente se as pessoas mudassem a si mesmas e depois às outras pela persuasão. Não se pode forçar as pessoas à anarquia. A anarquia só se tornará realidade se as pessoas controlarem-se (trata-se de responsabilidade, de ser uma lei para si mesmo).
Um ponto importante de frisar é que a anarquia não significa que não haja leis, significa não ser necessário que tenha. Na anarquia é necessário que os indivíduos possam viver em paz, sem autoridades para obrigá-los ou puni-los, quando as pessoas tiverem coragem e razão suficiente para falar honestamente e igualmente umas com as outras, então a anarquia será possível.
E pode-se ver a anarquia como liberdade da autoridade e das regras; uma sociedade em que as pessoas poderiam viver suas vidas sem nenhuma forma de obrigação. Assim, a polícia e até mesmo as leis formais não seriam necessárias. A polícia personifica tudo que há de errado com a autoridade. Os punks consideram a polícia um desperdício completo de dinheiro público, sem propósito algum senão aterrorizar a comunidade, cidades e liberdades pessoais. Tem gente que diz que a policia apenas cumpri o seu dever, entretanto, se cumprir seu dever implica em perseguir e espancar pessoas que ousam confrontar a autoridade eles não irão receber o respeito dos punks. Isso não significa que todos os policiais são racistas, sexistas entre outros, mas que poucos são bons.
Hoje, existe um movimento partidarizado e fraco dentro qual os grupos brigam mais do que trabalham juntos. Desacordos sobre os objetivos e sobre o fato de dever-se ou não tomar partido em conflitos estatais são dois dos muitos fatores que agora dividem a comunidade.
A fé que os punks e outros ativistas têm na anarquia provém da crença na igualdade e nos direitos de todas as pessoas.Essa visão de igualdade está explicitamente clara na reação visível dos punks ao sexismo, a homofobia, ao racismo e até ao especismo.



Mariana

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